A GARGALHADA ORIGINAL DO MESTRE DO RISO

Por Fernando Albagli

05/08/2002

Sempre às 21h45min, de 5 a 18 de agosto, o Telecine Happy (NET - canal 64) estará apresentando o Festival Jerry Lewis - o Mestre do Riso. A grande novidade é que, pela primeira vez, os telespectadores vão ouvir a voz do grande comediante, já que, na TV aberta, os filmes eram sempre dublados. No dia 19 de janeiro de 1991, faleceu, no Rio de Janeiro, aos 47 anos, o ator Olney Cazarré, que dublava Lewis nos filmes exibidos na televisão.

A programação é a seguinte:
Dia 5: A Farra dos Malandros
Dia 6: O Meninão
Dia 7: Artistas e Modelos
Dia 8: O Rei do Laço
Dia 9: Ou Vai ou Racha
Dia 10: O Rei dos Mágicos
Dia 11: Bancando a Ama-Seca
Dia 12: O Terror das Mulheres
Dia 13: Detetive Mixuruca
Dia 14: Errado pra Cachorro
Dia 15: O Professor Aloprado
Dia 16: O Bagunceiro Arrumadinho
Dia 17: Boeing Boeing
Dia 18: Uma Família Fuleira


Para lembrar aos que riram com ele, na época em que seus filmes eram exibidos nos cinemas, para informar aos que somente agora vão ter oportunidade de conhecê-lo, eis uma biofilmografia do grande comediante:

Joseph Levitch - depois Jerry Lewis - nasceu no dia 16 de março de 1926, em Newark, Nova Jersey, onde viveu com os pais num lugar bem modesto. Documentos oficiais mostram seu primeiro nome como Jerome. Seu pai era comediante e a mãe, pianista, acompanhava o marido nas turnês que faziam, aceitando todo tipo de trabalho. Aos cinco anos, Joseph passou a fazer, esporadicamente, um número de vaudeville, cantando Brother, Can You Spare a Dime? (Irmão, pode me dar uma moeda? ). Enquanto o casal Levitch viajava, o judeuzinho magricela passava quase o tempo todo com a avó Sarah, de quem recebeu os primeiros incentivos. A morte dela foi, talvez, a maior tristeza de sua vida.

Nas escolas por onde passou, Joseph era indisciplinado e chegou a ser expulso de uma delas, quando deu um soco num professor, cujas observações considerou anti-semitas. Aos 12 anos, teve seu maior contato até então com o mundo mágico da tela - foi lanterninha num cinema de Nova York. Depois, passou por vários empregos modestos. Aos 15, trabalhando como garçom num hotel onde o pai participava do show da casa, Joseph acabou sendo contratado, quando substituiu um comediante que ficou doente, improvisando alguns números de pantomima que fizeram muito sucesso. Nascia Jerry Lewis.

Em 1944, conheceu, em Detroit, uma crooner da orquestra de Tommy Dorsey. Três meses depois, casava-se com Patty Palmer (pseudônimo de Esther Calonico). Durante algum tempo, apresentaram-se em dupla no palco, mas ela abandonou a carreira com o nascimento do filho, Gary, em 1945. No ano seguinte, Jerry conheceu um rapaz quase um ano mais moço que ele. Era Dino Crocetti, ex-boxeador, ex-empregado de posto de gasolina, ex-crupiê, aspirante a cantor. E foi cantando (e com o nome artístico Dean Martin) que ele formou, com Lewis, a dupla de maior sucesso do show-business em fins dos anos 1940, até 1956, apresentando-se em casas noturnas e na televisão.

Foi Hal Wallis, que produzia para a Paramount, quem descobriu Martin-Lewis para o Cinema. Ele contratou a dupla, emprestando-a aos estúdios. Seus primeiros filmes foram A Amiga da Onça (My Friend Irma),1949, de George Marshall, e a continuação, Minha Amiga Maluca (My Friend Irma Goes West),1950, de Hal Walker. Nos dois, a dupla tinha papéis secundários. Os protagonistas eram John Lund e Diana Lynn.

Somente no terceiro filme, também dirigido por Walker, Martin e Lewis começaram a estrelar. Foi em O Palhaço do Batalhão (At War with the Army),1951.
Vieram, depois, mais 12 filmes e uma ponta num de outra dupla famosa - De Tanga e de Sarongue (Road to Bali), com Bing Crosby e Bob Hope, justamente, como eles, um cantor e um comediante.

Os outros filmes de Martin-Lewis foram: 1951: O Filhinho do Papai (That's My Boy); 1952: O Marujo Foi na Onda (Sailor Beware), Malucos do Ar (Jumping Jacks); 1953: O Biruta e o Folgado (The Stooge), Morrendo de Medo (Scared Stiff), Sofrendo da Bola (The Caddy); 1954: A Barbada do Biruta (Money from Home), A Farra dos Malandros (Living it Up), O Rei do Circo (Three Ring Circus); 1955: O Meninão (You're Never Too Young), Artistas e Modelos (Artists and Models); 1956: O Rei do Laço (Pardners), Ou Vai ou Racha (Hollywood or Bust).

Num ensaio deste último, Jerry passou mal e teve que ser internado às pressas. O excesso de trabalho e de fumo foram os culpados. Precisava reduzir o esforço e parar de fumar. Começaram as desavenças entre os parceiros. O comediante acusava o cantor de não levar o trabalho a sério. A parceria terminou oficialmente em julho de 1956, com o show da dupla na boate Copacabana, em Nova York. Jerry sofreu muito com a separação, chegando a pensar que não conseguiria enfrentar o público novamente. Mas, no mês seguinte, participou de um show de Judy Garland, improvisando vários números, para ajudar a amiga que estava rouca, sem poder cantar. E, no ano seguinte, nos primeiros espetáculos solo, fez um grande sucesso.

Afinal, a separação acabou fazendo bem a Jerry Lewis. Além de passar a se interessar mais pelos contratos, pelo orçamento dos filmes e influenciar na escolha dos técnicos, dedicou-se a estudar, vendo e revendo, os filmes dos clássicos comediantes, como Chaplin, Keaton, Lloyd e Sennet. Logo no primeiro filme que estrelou sozinho, assumiu também o papel de produtor. Foi em O Delinqüente Delicado (The Delicate Delinquent),1957, escrito e dirigido por Don McGuire. No mesmo ano, novamente dirigido por George Marshall e ao lado de David Wayne, Phyllis Kirk e Peter Lorre, fez O Bamba do Regimento (The Sad Sack), baseado nas histórias em quadrinhos do Recruta Zero. Foi o último do contrato com Hal Wallis. Ele fundou, então, a Jerry Lewis Production.

O filme seguinte marca a solidificação de uma associação que influenciou muito a carreira do futuro diretor Jerry Lewis. Foi Bancando a Ama-Seca (Rock-a-Bye Baby),1958, com roteiro e direção de Frank Tashlin, que já fora também diretor e roteirista em Artistas e Modelos. Tashlin tinha trabalhado em desenhos-animados de Paul Terry e Walt Disney, escrevera gags para Hal Roach e produzira, durante quatro anos, uma tira de histórias-em-quadrinhos. Depois, dedicara-se somente a escrever roteiros para filmes de Bob Hope, Red Skelton e outros comediantes. Somente no início da década de 1950, começou a dirigir. Seu estilo era nitidamente influenciado pelos quadrinhos e animações. Os críticos franceses - que também foram os primeiros a valorizar Jerry Lewis como artista - o admiravam muito, e Jean-Luc Godard chegou a considerá-lo na vanguarda de um estilo moderno de comédia.

Tashlin dirigiu Lewis ainda em O Rei dos Mágicos (The Geisha Boy),1958, Cinderelo sem Sapato (Cinderfella),1960, Detetive Mixuruca (It's Only Money),1962, Errado pra Cachorro (Who's Minding the Sore?),1963, e, finalmente, O Bagunceiro Arrumadinho (The Disorderly Orderly),1964. Neste, assim como em O Mensageiro Trapalhão (The Bellboy),1960, Mocinho Encrenqueiro (The Errand Boy),1961, O Terror das Mulheres (The Ladies Man),1961, O Otário (The Patsy),1964, e, mais tarde, As Loucuras de Jerry Lewis (Smorgasborg),1983, todos dirigidos por Lewis, o importante não é a história propriamente, mas o encadeamaento e a genialidade dos gags.

O Mensageiro Trapalhão marcou a estréia de Lewis na direção e o início de sua parceria com Bill Richmond na bolação da história e no roteiro. Mas, antes, ele foi dirigido duas vezes por Norman Taurog, em A Canoa Furou (Don't Give Up the Ship,1959, e Rabo de Foguete (Visit to a Small Planet),1960. Ainda em 1959, Jerry faz uma ponta em As Aventuras de Ferdinando (Li'l Abner), de Melvin Frank, baseado na célebre história-em-quadrinhos de Al Capp.

Mesmo sofrendo muito com a úlcera que o atormenta, ele funda um curso de comédia, cancela seu contrato com a NBC de quatro shows por ano (não pelo esforço mas porque lhe davam prejuízo), apresenta-se duas vezes por ano em Las Vegas e uma em Chicago, grava discos e faz comerciais, dirige sua Jerry Lewis Production, faz campanha a favor dos negros, fica amigo dos Kennedy... um turbilhão de vida. Mas os filhos (cinco do sexo masculino) continuam. E os filmes também. Em 1963, aquele que é seu preferido e muitos consideram sua obra-prima: O Professor Aloprado (The Nutty Professor), inspirado em O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson. Martin e Lewis foram os campeões de bilheteria de 1950 a 1956. Jerry conseguiu isso sozinho em 1957, 1959 e de 1961 a 1964. Em 1965, Lewis interpretou sete personagens, em Uma Família Fuleira (The Family Jewels), que ele mesmo produziu e dirigiu. No filme seguinte - Boeing Boeing (Boeing Boeing),1965 - pela primeira vez, disputa o lugar de maior destaque na apresentação com outro ator. A solução foi misturar, em círculo, os nomes dele e de Tony Curtis, nos créditos iniciais. O personagem de Tony se chama Bernard, que é o seu nome verdadeiro.

Em Três em um Sofá (Three on a Coach),1966, Lewis, cuja popularidade vem decrescendo nos Estados Unidos e o prestígio aumentando na França, deixa de lado sua marca registrada de careteiro trapalhão. Nesta sétima vez em que dirige, ele tenta fazer uma crítica aos consultórios de psicanálise. Sua leading lady é Janet Leigh (ex-mulher de Tony Curtis), com quem já tinha feito Farra dos Malandros, 12 anos antes. Agora, ele é um free-lancer, trocando a Paramount pela Columbia. Mas o roteiro e a direção são fracos. Ele está nitidamente desanimado e apenas em raros momentos demonstra sua versatilidade. Pouco depois, Jerry é incluído numa lista dos Dez Melhores Cidadãos de Hollywood, juntamente com Walt Disney, Bing Crosby, Irene Dunne, Bob Hope, Danny Kaye, Debbie Reynolds, Jane Russell, Red Skelton e Loretta Young. Nessa ocasião, ele afirma que estava prestes e abandonar tudo, quando a França lhe deu novas esperanças. "A França, meu segundo país? Não, é meu primeiro país. A razão? Simplesmente porque os críticos franceses examinam meus filmes antes de falar deles."

Os dois filmes seguintes foram Um Biruta em Órbita (Way... Way Out),1966, de Gordon Douglas, com o inglês Robert Morley e a sueca Anita Ekberg (de A Doce Vida), e O Fofoqueiro (The Big Mouth), de 1967, que o crítico Sérgio Augusto considerou, na ocasião, "o primeiro capítulo da comédia moderna", acrescentando que "os gags continuam surpreendentes, fulminantes, e tudo é muito simples, despojado" e concluindo que os filmes de Lewis "são verdadeiros atos de exorcismo, onde o personagem se debate com a ficção que o sufoca, de mesma maneira que o cineasta luta contra as mordaças da linguagem linear e meramente expositiva".

Em 1968, Um Golpe das Arábias (Don't Raise the Bridge, Lower the River) só se destaca por ter sido o primeiro de Lewis fora dos Estados Unidos. Foi filmado na Inglaterra, com o grande comediante Terry Thomas. Nesse ano, citando um de seus diretores preferidos - Richard Brooks - numa entrevista ao Cahiers du Cinéma, ele destaca a prevalência das imagens sobre os diálogos em cinema; "Não posso lhe repetir o que Cary Grant disse em Gunga Din, mas me lembro bem de sua expressão em vários momentos do filme (...) o importante é o visual".

Uma Dupla em Sinuca (One More Time),1969, foi o primeiro filme que Jerry dirigiu sem participar como ator. Os protagonistas são Peter Lawford e Sammy Davis Jr., ambos da turma de Frank Sinatra conhecida como The Rat Pack, da qual, coincidentemente, o ex-parceiro Dean Martin fazia parte. O filme decepcionou a crítica, que lamentou o desperdício do tema, uma sátira ao british way of life. Novamente com Peter Lawford, dessa vez voltando a atuar, foi dirigido pela quinta vez por George Marshall, em De Caniço e Samburá (Hook, Line and Sinker),1969, uma refilmagem de Nada é Sagrado,1938, de William Wellman, com Fredric March e Carole Lombard.

No ano seguinte, são inaugurados os Jerry Lewis Cinemas. São 750 pequenas salas com modernas instalações, espalhadas por todo o país, com sua caricatura nas fachadas. É também o ano de Qual o Caminho para a Guerra? (Which Way to the Front), sua décima direção. Antes, ainda, pela televisão, repudiou a guerra no Vietnã, chegando a dizer que "abandonaria os EUA, se meu filho for obrigado a lutar na Ásia". No começo dessa década, é comparado a Chaplin e Keaton, novamente pelos críticos franceses: "Não houve ninguém mais engraçado que ele nos anos 1960". Mas o resultado da bilheteria não corresponde a essa admiração. E isso desde 1967. Um caso parecido com o de Woody Allen atualmente.

O início da década de 1970 foi realmente desastroso. Numa grande depressão da indústria cinematográfica, viu sua firma exibidora, com os Jerry Lewis Cinemas, ir à falência. E ainda o filme que rodou em 1972 - The Day the Clown Cried - enfrentou problemas legais e acabou não sendo lançado. É inédito até hoje. Mostra um palhaço nazista, flautista como o de Hamelin, que leva crianças para a morte, em campo de concentração, na Segunda Guerra Mundial. Quem viu o copião, refere-se a ele como um misto de A Vida é Bela e A Lista de Schindler, muito antes deles. Durante essa década, Lewis sobreviveu do passado. Fez shows em Las Vegas e relançou vários de seus filmes na Europa. Em compensação, foi indicado para o Nobel da Paz, por sua contribuição na luta contra a distrofia muscular.

Sua volta às telas grandes aconteceu em 1981, quando foi lançado Um Trapalhão Mandando Brasa (Hardly Working), que ele dirigiu e estrelou em 1979. Foi mal nos Estados Unidos e sucesso na França, como Au Boulot, Jerry. Um crítico francês o considerou "o maior comediante, depois da morte de Buster Keaton". Em 1980, morre seu pai e Patty entra com uma ação de divórcio, depois de 36 anos de casados. Também nesse ano, Martin Scorsese o convida para trabalhar ao lado de Robert De Niro. O filme, lançado em 1983, é O Rei da Comédia (The King of Comedy), onde ele é um astro da TV e De Niro um fã desequilibrado, com pretensões a comediante, que o seqüestra, mantendo-o como refém, para forçar uma apresentação num show de televisão.

Ainda em 1983, casa-se com Sandee Pitnik, de 32 anos. Ele tem cinco filhos do primeiro casamento (que não compareceram à cerimônia) e adotou uma menina no segundo. No ano seguinte, três títulos engrossam a filmografia de Jerry Lewis. Dois foram realizados na França, e ainda são inéditos no Brasil: Retenez-moi ou Je Fais um Malheur!, de Michel Gerard, e Par où t'es Rentré on t'a pas Vu Sortir, de Philippe Clair. O terceiro, filmado em 1982, adaptado de um romance de Kurt Vonnegut e com ótimo elenco - Lewis, Madeline Kahn, Marty Feldman (falecido logo após as filmagens), Samuel Fuller - tinha tudo para ser muito bom. Quem estragou foi o roteirista, produtor e diretor Steven Paul. E Enviados do Outro Reino (Slapstick of Another Kind) ficou abaixo de medíocre.

Em 1992, Jerry descobriu um câncer de próstata, mas fez uma ponta em A Arte de Fazer Rir (Mr. Saturday Night), estréia de Billy Crystal na direção. Em 1995, foi o ator mais bem pago da Broadway, por sua atuação como o Diabo, na remontagem de Damn Yankees. Em 1999, ficou internado uma semana, com meningite viral, num hospital da Austrália, mas ganhou um prêmio especial pela carreira, no Festival de Veneza.

Outros filmes: Raymie,1960, de Frank McDonald, com David Ladd e Julia Adams. Jerry apenas canta a canção-título. Luta pela Vida (Fight for Life),1987, telefilme de Elliot Silverstein, com Morgan Freeman, Jaclyn Bernstein e Patty Duke. Cookie,1989, comédia de Susan Seidelman, com Peter Falk, Dianne Wiest, Emily Lloyd, Brenda Vaccaro. Jerry num pequeno papel. Arizona Dream (Arizona Dream),1993, de Emir Kusturica, com Faye Dunaway. Lewis faz o tio de Johnny Depp. Funny Bones,1995, de Peter Chelsom. Lewis faz o pai de Oliver Platt. Secret Daughter,1996.

Na televisão, Martin e Lewis estrearam no programa inaugural do Ed Sullivan Show, quando ele ainda se chamava Toast of the Town, em 1948. Levaram duzentos dólares do pequeno orçamento de 475. Participaram várias vezes do Colgate Comedy Hour, entre 1950 e 1955. Depois de desfeita a dupla, Jerry fez o The Jerry Lewis Show, duas vezes em 1957 e uma vez em 1958. Em 1963, fechou um contrato de 35 milhões de dólares com a Rede ABC, mas o programa foi um fracasso, ficando apenas de setembro a dezembro. Outra temporada, então na NBC, foi bem melhor de público, permanecendo no ar de setembro de 1967 a maio de 1969. De 1970 a 1972, ficou na telinha Will the Real Jerry Lewis Please Sit Down, programa de desenhos-animados criado por ele. Na série O Homem da Máfia (Wiseguy),1987-1990, fez um grande papel dramático, como o pai de Ron Silver, numa história em cinco partes, estrelada por Ken Wahl como o agente federal Vinnie Terranova.
v Uma curiosidade: Quando deu aulas num curso de cinema na Universidade da Califórnia, Jerry Lewis teve como alunos nada mais nada menos que Steven Spielberg e George Lucas.


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